VIVER
Sinto a alma a perder-se!
Nua, num desespero contínuo em busca de socorro. Naufragada num imenso de solidão que exaspera fraqueza.
Um frágil olhar desperta a lucidez que me diz: é cedo! Mas, a minha vontade vai contra o meu pensamento.
Nem mesmo o fogo a fervilhar nas minhas veias derrete o gelo que há em mim.
Preciso beber da água que me desperta para a vida mas sinto a fonte, que apenas goteja, secar sem saciar a minha sede de amor.
O mar que se estende no meu horizonte, não mais parece que um pantanal onde hoje, espero e desespero, por quem a mão não me estende e a boca não me alcança.
Sinto a vida passar, nua, sem roupa e sem rumo.
O desespero alega o meu medo. Aproxima-se cada vez mais, na surdina escuridão como se, de uma singela nuvem negra se tratasse.
Preciso urgente do sol que ilumina e alimenta o meu corpo. Da água que mate a minha sede. Do ar que me inebria sem sufocar. Do desejo de voltar a ser: EU

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